28 de novembro de 2010

nós entre nós.

(ouvir este poema aqui em baixo)



nas tuas mãos, um cordel,
com que me prendes a ti
pintas-me o mundo a pincel
em cores que falam por si.

meu amor, estamos sós,
e atamos nós entre nós.

e às vezes puxamos tanto
que o cordel chega a partir,
torna-se o sonho num pranto
vemos o mundo ruir.

e assim, chegamos à foz,
quebram-se os nós entre nós.

mas nosso amor reacende,
e queremos voltar atrás,
por vezes o que nos prende,
em segredo nos desfaz.

e é esse cordel atroz
que quebra os nós entre nós.

tens os olhos a brilhar
e sussurras-me ao ouvido,
dás-me a mão e, sem falar,
dizes coisas sem sentido.

meu amor, a tua voz,
reata os nós entre nós.


.

17 de agosto de 2010

de olhos vendados.

de olhos vendados, entreguei-me a ti
deixei-te um segredo na mão
beijaste-me o corpo e juraste-me amor
guardei-te no meu coração.

de olhos vendados, não sei se te vi,
nem se era meu o segredo
tiraste-me os olhos, a voz e a cor
fizeste de mim teu brinquedo.

de olhos abertos, seguirei sem ti
com o segredo na voz
talvez o vento traga o furor
e um dia chegue até nós.

26 de julho de 2010

depois da escuridão.

há um lugar, algures,
onde o tempo não sabe das horas,
onde os teus passos são portas abertas.

há um lugar, algures,
onde se estendem as mãos para ti,
e todas as fontes são almas desertas.

há um lugar, algures,
aonde vais sem medo da vida
e te perdes nas águas incertas.

larga a escuridão e segue-me
larga o teu corpo, que ele não aguenta,
que há um lugar, algures,
onde as nuvens são chão e o céu é magenta.

18 de junho de 2010

meu luar.

à noite saio sozinho
e acredito nas estrelas,

ilumina-me tão-só um sopro do luar.
qual luz que a lua emana?
qual magia que a noite reclama?
é brilho do teu olhar.

à noite saio sozinho
e acredito nas estrelas...

não te peço que me dês a lua
nem tampouco que me entregues o sol,
nunca quis que me desses o mar,
nem o céu, nem o mundo.

hoje basta-me, inteiro, o teu olhar.

desta noite sairei sozinho,
se tu aceitares ser o meu luar.

4 de maio de 2010

vá, meu amor, continua!

se um qualquer dia, em segredo,
caires no meio da rua,
e ficares só e com medo
à luz do sol ou da lua...
volta à estrada, atenta,
que a minha mão será tua
e o mundo será magenta,
vá, meu amor, continua!

a vida não dá tempo para se baixar a cabeça!

20 de fevereiro de 2010

meu amor, não adormeças.

meu amor, não adormeças.

olha a ponta do meu dedo 
olha o céu, conta as estrelas
que te aponto em segredo,
mesmo que não possas vê-las.

meu amor, não adormeças.

olha a minha mão na tua
solta em silêncio um grito
e meu amor, olha a lua
e seu conforto infinito.

e meu amor, não te esqueças,

que quando a dor te chegar
serei a mão que te alenta,
seremos dois a voar,
seremos dois, no magenta.

27 de janeiro de 2010

uma só cor

de que cor pensas pintar o teu olhar?
de laranja, de vermelho, de cinzento?

escolhe uma que queiras abraçar
só uma para teres no pensamento.

olha os meus olhos que o teu fogo ardeu:
são verdes, como tu os olhas?
ou magenta, como os vejo eu?

se tivesses que escolher uma só cor,
diz-me, qual seria ela, meu amor?

18 de janeiro de 2010

vem.

quiseste fazer do vento o teu abrigo
e ele levou para longe a tua cor.
sobrou medo e desespero.

dá-me a tua mão e vem comigo,
pintar-te-ei a magenta, meu amor.
sobrará magia só.

27 de dezembro de 2009

um ano.

um ano.
há muito que te escrevo, lugar.
há muito que me sirvo da tua cor
- a minha cor.

engano.

um ano de tempo e és o mesmo
- sou o mesmo.
como se o tempo passasse por nós
e não valesse a pena voltar atrás.

em tuas letras, meu oceano.

um ano.
trezentos e sessenta e tal dias:
como se isso contasse.

profano.

um ano.
obrigado aos que se cruzaram neste lugar
que emano.

25 de dezembro de 2009

natal

hoje a cor não é só uma:
há uma união perfeita
de todas as cores do mundo.

hoje a noite é especial,
e há vida inteira
e um amor profundo

hoje é noite de Natal
estamos juntos nós
está unido o mundo.


um feliz Natal!

23 de novembro de 2009

gota

olhei-te durante a noite e o teu rosto era cinzento.
o teu olhar congelado, fitava o meu com desprezo.

olhei-te o tempo todo, passei a noite ao relento.
olhei-te sem dizer nada,
que eu estava cheio de medo.
e dos meus olhos caíram as gotas do teu passado.

pintei-te o rosto a magenta,
queimei-te o olhar congelado.

e no meu rosto secaram as gotas do teu passado.

4 de outubro de 2009

pegadas

se houver um sorriso no ar
e ele for teu,

se, em segredo, houver um teu olhar,
de encontro ao meu,

estendo-te a minha mão direita, meu amor.
e vamos correr juntos.

o magenta serão pegadas nossas.

3 de outubro de 2009

de noite

vi-te de soslaio e voltei-me para trás.
o teu corpo misturado com o dele,
vossos lábios unidos secretamente.

viste-me,
escondeste a face atrás da dele.
aproximei-me e fugiram. vossas mãos coladas.

quando vieste ter comigo à noite,
era o seu perfume que te dominava o corpo
e disseste "adeus".


acordei de um sobressalto,
corpo encharcado de suor e um grito desafinado.

ali estavas tu.
pestanejaste (acordei-te).
abraçaste o meu corpo e voltaste a fechar os olhos:
"foi só um sonho sem cor, meu amor, dorme de novo."
(a tua voz com sono)
"sonhos magenta."
(a minha voz confusa ainda)
e voltaste a adormecer.

foi só um sonho sem cor, meu amor, mas não voltei a adormecer.

1 de setembro de 2009

esperança

Sabias que de cada vez que me afastas
a minha cor desbota?

dói-me o desbotar da cor
como uma faca que me largaste no peito
ou que apenas te esqueceste de tirar.

volta a pintar o meu mundo a magenta, meu amor.
se sobrar a tinta,
pinta de novo também o coração.

4 de agosto de 2009

tarde

encontrei-te a chorar, ontem à tarde.

segredei-te ao ouvido o nome das cores.
disseste que não.

mostrei-te a paleta que tinha escondido e entreguei-te os meus braços.
disseste que não.

escolhi devagar as cores mais suaves. desenhei-te num quadro de fogo e luar.
beijei-te nos lábios segredos do vento. pintei de magenta o teu coração.
sorriste, enfim, tão alto, sem voz.
disseste que sim e deste-me a mão.

12 de junho de 2009

do amor

acredito na cor da tua pele,
quando deitas a cabeça no meu peito.

acredito em todos os lugares,
quando passo a mão nos teus cabelos.

acredito no mundo e no amor,
quando sinto o teu abraço.


amor é haver duas cores envolvidas, devolvidas a si mesmas.

a minha cor não é só minha, é a perfeita união homogénea de nós.
o magenta é do amor.

11 de maio de 2009

refúgio.

e se o ar fosse cinzento e eu tivesse que te respirar?
e se o mar fosse incolor, e tivesse eu de navegar em ti?
e se o vento fosse vazio e tu tivesses de me levar?
e se o céu fosse deserto, e só pudesse voar contigo?

a tua cor torna a minha muito mais ardente,
e nos teus lábios encontrei o meu refúgio.

és magenta em mim, minha paleta de cores, meu arco-íris.

25 de abril de 2009

cravo de abril.

sabias que hoje a cor é o vermelho?

de que é o vermelho?

é dos cravos, é da nossa voz, dos sorrisos, dos insultos, da liberdade.

hoje o magenta é a vermelho, meu amor! e é ele que te deixa escrever o arco-íris.

19 de abril de 2009

segredo

deixas-me em segredo e consigo ouvir-te entre o soprar do vento.

se a tua vida é ao meu lado, porque te vais embora?
deixas o mundo que pintaste de magenta às escuras. preto e cinzento é tudo o que vejo.

gosto de ti, como a minha cor gosta da tua.

27 de março de 2009

se eu voar.

se eu voar, vem comigo. sabes tão bem quantas vezes vou fugir.
se eu voar, não fiques. sabes tão bem que o mundo me espera.
se eu voar, não deixes. sabes tão bem que não quero voar sozinho.

se eu voasse, morria. se eu voasse, morrias.
se eu voasse, morríamos.