27 de março de 2009

se eu voar.

se eu voar, vem comigo. sabes tão bem quantas vezes vou fugir.
se eu voar, não fiques. sabes tão bem que o mundo me espera.
se eu voar, não deixes. sabes tão bem que não quero voar sozinho.

se eu voasse, morria. se eu voasse, morrias.
se eu voasse, morríamos.

tu

cobriste de linho o meu chão e de seda as paredes. deitaste em veludo o horizonte.

subiste entre estrelas por um mar de rosas negras, cobriste de luto todo o tempo e o luar.
abriste a tua mão, subiste à minha estrela e de lá gritas - na tua cor.

se fosses de vento, o luar era cinzento.
todo o teu corpo - sobre o meu - como de magenta o que sobrepões.

se eu te dissesse um segredo, cantarias a toda a gente ou choravas como faço?
preferes o sol ou o meu rosto sobre linhas de águas verdes?

deixa que entre o meu mundo em ti, por quão falsas sejam tuas cores.
As minhas são tão reais: magenta e tu.

se me vires, abraça-me com o olhar.
se me tocares, enlaça-me com os braços.
se me ouvires, deixa que a minha voz te abrace, porque estou a pensar em ti.